Tecnologia a favor da inclusão: Escola do interior baiano da importante passo para inclusão

Postado em 30 agosto Comentar

Embora a inclusão seja ainda um “bicho de sete de cabeças” para muitos educadores e instituições, a Escola Municipal Arte e Vida da cidade do interior baiano, Macaúbas-BA, conseguiu enfim desarmar o “monstro” da exclusão, e através do uso das tecnologias, fazer da inclusão uma realidade perceptível no dia-a-dia de suas salas de aula.

As chamadas Tecnologias de Informação e Comunicação (Tic’s) são, sem nenhuma dúvida, fonte de recursos diversos que promovem a educação e o conhecimento de modo sistemático e espontâneo que, já há algum tempo passaram a ser usuais no contexto da educação brasileira, promovendo aprendizagens de modo mais eficaz e estimulante para todos os alunos. Bem verdade dizer que, essa realidade muitas vezes acaba por atender apenas os alunos considerados “normais”, desconsiderando um grande número de alunos com deficiências, necessitando desse modo, um “olhar diferente” a tais diversidades que podem impedir a sua efetiva participação no processo ensino/aprendizagem.

Entretanto, quebrando os paradigmas da tradição, na escola Arte e Vida a questão da inclusão é encarada com muita atenção e carinho. Nelas seus profissionais estão atentos e também envolvidos com um documento nacional, publicado pelo Ministério da Educação que foi intitulado de “Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação”. Segundo esse documento, a Educação Especial perpassa todos os níveis e etapas de ensino e deve produzir o atendimento especializado, disponibilizando recursos e serviços, orientando quanto a sua utilização no processo de educação regular em nosso país.

Partindo dessa premissa, confiantes no poder da educação para todos, sem distinção e preconceitos, os profissionais da escola em questão, após sucessivas reuniões, debates, horas de estudos e profundas reflexões resolveram desenvolver projetos de intervenção para atender sua clientela com uso de uma diversidade de recursos, promovendo também diversas oportunidades de aprendizagens.

Segundo o depoimento da diretora da escola, a pedagoga Luciane Ney de Urbino Brito, foi necessário uma reorganização escolar, em que a abordagem de educação inclusiva pudesse ser priorizada também. Como relata a profissional, a escola nessa reflexão intensa em busca de respostas e novos caminhos para educar, a partir da premissa da inclusão, viu-se apontada para um novo caminho, um novo modelo de educandário, para bem longe da acomodação, pautada na atenção à diversidade. Uma prática pedagógica preocupada em atender diferentes modos de aprender e ensinar.

Dentro desse contexto, visando oferecer uma educação mais inclusiva e promissora e na perene reflexão e busca por melhores práticas e mecanismos no processo pedagógico, eis que as “luzes” da tecnologia foram finalmente acendidas em toda a comunidade escolar.

“Estávamos diante de uma inesgotável fonte de recursos didáticos importantíssimos para a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais e, simplesmente ignorávamos ou não queríamos enxergar.” – Explica a coordenadora da escola, especialista em educação inclusiva, Eliane Albuquerque. Segundo ela, foi refletindo sobre o Decreto 6.571 de 17 de setembro de 2008, que dispõe sobre a educação especial, em que se observou o destaque dado a elaboração e utilização de recursos que respondam aos ajustes necessários para a efetiva aprendizagem dos alunos com necessidades educacionais especiais, considerando suas necessidades específicas.

Foi então que um turbilhão de ideias surgiu no âmbito escolar. Claro que havia a necessidade da especialização dos professores que fariam um contato mais direto e atendimento para esses alunos e foi assim, que nasceu a vontade e o interesse de um grupo de professores que buscaram, em parceria com a secretaria de educação do município, aprofundar seus conhecimentos, pelo programa de formação continuada. Esses profissionais, através de uma estratégia da coordenação, serviram então de “multiplicadores de conhecimentos” dentro da escola inclusiva, que agora envolve, a todos: educadores, direção, funcionários e pais.

Adicionado a tantas novidades, veio a esta acrescer a tecnologia. A escola conseguiu uma sala de recursos multifuncionais, garantido pelo mesmo decreto 6.571. Este espaço veio a possibilitar o atendimento educacional especializado, através de estratégias de aprendizagem, centrado numa nova concepção pedagógica. Juntamente a essa ação, toda escola passou a buscar a diversificação de recursos tecnológicos para auxiliar todo o processo de ensino e aprendizagem, como: TV, rádio digital, computador, internet, wi-fi, telefonia móvel, ambientes virtuais, redes sociais, que trouxeram uma nova realidade educacional, cheia de atrativos, de objetivos, de eficiência que empolgaram os educadores e propuseram a esses estudantes uma nova oportunidade para aprender.

Dentro desse contexto inspirador, a equipe de professores, direção e coordenação pedagógica e, claro a toda a comunidade escola passaram a testemunhar objetivos sendo de fato alcançados e a aprendizagem (foco maior da educação) ser ampliada a “olhos vistos”. A concepção da chamada Tecnologia assistiva passou de fato a ser encarada e abordada no fazer pedagógico de modo efetivo. Bom notar que tal perspectiva traz-nos uma realidade otimista e animadora que propõe o “estímulo de novas pesquisas e o desenvolvimento de equipamentos que favorecem o aumento, manutenção e melhora das habilidades funcionais da pessoa com deficiência”, como bem aponta o importante estudioso MENDES, que ainda aponta como consequência dessas ações, as condições efetivas de vida.

Vale ainda citar, que a maioria desses materiais de Tecnologia Assistiva estão disponibilizados pelo Ministério da Educação, de fácil acesso para todos, já presentes em muitas escolas, mas que, infelizmente muitos nem são desembalados. Essa triste situação é causada pela falta de conhecimento, de preparo funcional de professores e até, infelizmente, fruto da acomodação docente que teima em estar presente na realidade escolar ainda hoje. São recursos dessa tecnologia disponíveis: materiais didáticos e paradidáticos em braile, áudio Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, laptops e softwares de comunicação, entre outros.

Segundo relatam os professores da Arte e Vida, foi necessária uma profunda reflexão acerca das necessidades educacionais como um todo. Era preciso buscar a compreensão pedagógica e enxergar a realidade tecnológica que estão vivendo e buscar nesta uma aliada para o fazer pedagógico. Não se pode fechar os olhos para o fato das crianças de atualmente viverem em uma sociedade de informação repleta de recursos cada vez mais acessíveis e que podem e devem contribuir para o ensinar e o aprender.

Hoje é possível observar um ânimo novo dentro da Escola Arte e Vida que encarou o problema e passou da profunda reflexão para a ação concreta, na busca de uma solução real para uma deficiência que está presente em todas as escolas brasileiras e mundiais, cujo tema Educação Especial e Inclusiva passa a ser um grande desafio nos dias atuais, sendo necessário muito mais que o simples discurso, mas a iniciativa de educadores que têm compromisso com suas profissões e compromisso para com a sociedade.

Por Heliane S. P. Neves, Luciana F. S. Pereira e Mariney M. M. Côrtes



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